
Continuação:
Quando o inverno de aproximava, iam por lá também os amoladores e guarda-soleiros que anunciavam a sua chegada tocando uma gaita como as dos capadores.
Ao ouvi-la, logo os camponeses exclamavam: está ai o guarda-soleiro, temos chuva pela certa.
Então, deixavam os trabalhos e apressavam-se a levar os guarda-chuvas que precisavam de conserto e as tesoiras, facas e navalhas que necessitavam de afiação.
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Antes das colheitas e das vindimas, apareciam também os cesteiros para consertarem os cestos rotos e fazerem outros novos.
à sua volta, juntava-se o rapazio para observar como eles entraçavam e emendavam vimes e vergas com tal mestria que até parecia que os cestos eram feitos duma só peça.
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No inicio do ano, chegava também o capador, que percorria as povoações tocando o típico realejo de boca de cinco notas, no sentido ascendente e descendente, à procura de quem tinha porcas para capar.
Habituado como estava, já fazia essa operação maquinalmente, enquanto conversava com o dono do animal.
Por essa razão, ás vezes as coisas não corriam bem e saía a porca mal capada.
E foi daí que nasceui o ditado popular, ainda hoje muito usado: "enquanto se capa, não se assobia", para significar que não se podem fazer bem duas coisas ao mesmo tempo.