Raizes Lusitanas

Em Busca do Passado...Um Legado para o Futuro!

quinta-feira, agosto 04, 2005

Torres Vedras



"O Nome Portuguez, actualmente dado a esta Villa, indica com bastante clareza uma corrupção do antigo Torres Velhas, derivado do Latino Turres Veteres, com que os Povos Barbaros, invasores das Hespanhas, a denominavam (...).
Foi a villa antigamente fechada, do que ainda existem vestigios pelos nomes de diversos bairros denominados - Porta da Varzea; de Sancta Anna, da Corredeira; e pelos restos das muralhas quasi inteiramente subterradas, ou demolidas, que se descobrem nos mesmos sitios, servindo hoje de alicerces d'outros edificios (...)"

In Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres-Vedras por Manuel Agostinho Madeira Torres - 2ª edição - Coimbra - 1862.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Expostos e Naturais - Parte II

Devem se lembrar do Post que coloquei alguns dias atrás sobre a pesquisa que estou a fazer em que aparecia um ascendente do meu marido que era exposto em Santar e ao mesmo tempo aparecia o nome dos pais naturais do mesmo.
Pois bem, a seguir consegui localizar o assento de casamento de António dos Santos Coelho Castro (o enjeitado em Santar) e mais uma vez refere-se a ele como exposto, mas filho natural de Gonçalo Coelho de Almeida e Castro...e o mesmo foi testemunha presente no casamento do filho natural.
Em seguida localizei dois assentos de baptismo de dois Antónios, enjeitados em Santar em 1760.
Mas fiquei sem saber, qual deles é o "meu", pois a unicas informações, para além do batismo é a casa das pessoas aonde foi exposto.
Entretanto localizei o assento de obito em Quintal, Castelões, Tondela, Viseu do Gonçalo Coelho de Almeida e Castro, que me diz que faleceu em Dezembro de 1801, e foi sepultado em sepultura própria dentro da Igreja.
Recebi hoje um email de um pesquisador e autor de vários livros de genealogia, em que me diz que esse Gonçalo Coelho de Almeida e Castro, foi um conhecido genealogista do séc. XVIII. Imaginam a minha alegria e ao mesmo tempo surpresa ao saber deste facto.
Fico a aguardar comentários da vossa parte.

quarta-feira, julho 27, 2005

XV Curso de Verão do Instituto de História Contemporânea


DIVULGAÇÃO
XV Curso de Verão do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL

Data: entre 21 e 24 de Setembro
Localização: Auditórios da Reitoria da UNL e do Museu de Arte Antiga
Coordenação: Maria Fernanda Rollo, Ana Isabel Buescu e Pedro Cardim.
Outras informações: Natália Manso, secretária do IHC (ihc@fcsh.unl.pt)

Link: http://www.fcsh.unl.pt/deps/historia/terramoto.html
Informação cedida por Ligia Ferreira

Marquês de Pombal - Lisboa - 1930

domingo, julho 24, 2005

Actividades Ambulantes - IV


Os Moleiros

O pão era o alimento indispensável em todas as casas das aldeias.
As pessoas costumavam dizer: "com pão e vinho, anda caminho".
Quando ele faltava, faltava a alegria e a paz, pois, como diz o ditado: "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
Ele acompanhava toda a comida, até a sopa. por isso, se dizia: "caldo sem pão, só no inferno o dão".
Mais que simples comida, ele era visto como algo sagrado, com foros de culto religioso: se calhava cair um pedaço ao chão, logo era limpo com as mãos e beijado respeitosamente, como se fora o pãop do altar.
Mas, se não havia mesa sem pão, também não havia pão sem moleiro. Por isso, todos tinham o seu moleiro que semanalmente subia das margens do Rio Cordo, onde tinha o seu moinho, e se deslocava a casa dos fregueses.
Aí, depois de uns dedos de cavaqueira, carregava o cavalo ou o jerico com sacos de grão de milho ou centeio, abalava para o moinho e só voltava na semana seguinte com a farinha.
(...)

Actividades Ambulantes - III


Os Vendedores

Aproveitando as dificuldades que os lavradores tinham em se deslocar à Vila para fazer compras, surgiam os vendedores ambulantes que passavam pelas aldeias a oferecer os produtos mais consumidos.
Entre eles, salientavam-se as populares sardinheiras que iam por lá quase diariamente com os caixões de sardinha fresca, apregoando, de porta em porta: olha a vivinha de Ovar, é comer e regalar.
E quando não havia aquele peixe fresco, o peixe dos pobres, levavam barricas de sardinhas salgadas, para o substituir.

Nota: Ainda me lembro de ver em casa dos meus pais essas barricas cheias de sardinhas salgadas, que era uma forma de conservar as mesmas por muito tempo.

Era um negócio miúdo, é certo, quase sempre fiado, e algumas vezes com calotes; mas, apesar disso, mais compensador e mais leve do que o trabalho do campo.
Por isso, o povo costumava dizer: quem vende sardinha come galinha.

Embora com menos frequencia, por lá passavam também os famigerados almocreves com os machos carregados de gás, azeite, sabão, fósforos e outras miudezas.
Ao chegarem às povoações, tocavam uma corneta de som monótono e estridente e aguardavam a chegada dos compradores que não tardavam.
O produto mais procurado era o gás, naturalmente, pois era com ele que alimentavam as tradicionais candeias e lampiões para iluminar as casas, sobretudo nas longas noites de inverno.
A seguir, era o sabão tão necessário para lavar as roupas interiores encardidas de suor e poeira.
O azeite era menos procurado, não só porque era mais caro, mas também porque era menos necessário, pois, para alumiar, era usado apenas nos candeeiros especiais de quatro bicos, utilizados nos mortórios; e para os temperos era facilmente substituídos pela banha de porco, que não faltava na maior parte das casas (...).

sábado, julho 23, 2005

Actividades Ambulantes - II


Continuação:

Quando o inverno de aproximava, iam por lá também os amoladores e guarda-soleiros que anunciavam a sua chegada tocando uma gaita como as dos capadores.
Ao ouvi-la, logo os camponeses exclamavam: está ai o guarda-soleiro, temos chuva pela certa.
Então, deixavam os trabalhos e apressavam-se a levar os guarda-chuvas que precisavam de conserto e as tesoiras, facas e navalhas que necessitavam de afiação.
(...)
Antes das colheitas e das vindimas, apareciam também os cesteiros para consertarem os cestos rotos e fazerem outros novos.
à sua volta, juntava-se o rapazio para observar como eles entraçavam e emendavam vimes e vergas com tal mestria que até parecia que os cestos eram feitos duma só peça.
(...)
No inicio do ano, chegava também o capador, que percorria as povoações tocando o típico realejo de boca de cinco notas, no sentido ascendente e descendente, à procura de quem tinha porcas para capar.
Habituado como estava, já fazia essa operação maquinalmente, enquanto conversava com o dono do animal.
Por essa razão, ás vezes as coisas não corriam bem e saía a porca mal capada.
E foi daí que nasceui o ditado popular, ainda hoje muito usado: "enquanto se capa, não se assobia", para significar que não se podem fazer bem duas coisas ao mesmo tempo.

Actividades Ambulantes



Desta vez venho vos falar das Actividades Ambulantes que existiam na região de Mouçós - Vila Real, mas julgo que seriam as mesmas em outras localidades do interior do nosso Pais.
As fontes são: Monografia de Mouçós - Joaquim Alves Ferreira - Ano 2004

Os Artesãos

Devido ás constantes actividades agrícolas, à distancia considerável a percorrer para chegar à Vila (Vila Real), sem outros meios de transporte, além das pernas ou do jerico, e ao bixo poder de compra de outros tempos, os habitantes da freguesia tinham necessidade de conservar os velhos utensilios, aproveitando os prestadores de serviços uq por lá passavam em busca de trabalho.
E por lá passavam os caldeireiros, com material muito rudimentar, que assentavam arraiais no centro das povoações.
A novidade da sua chegada corria velozmente pelas aldeias e as donas de casa não tardavam a aparecer com tachos sem asas, potes sem pernar comidas pelo fogo, malgas esbotenadas e pratos rachados...
E a tudo eles davam remédio prontamente: cravavam asas nos tachos, soldavam pernas nos potes e ligavam as partes das malgas e dos pratos (...).
Mas o trabalho era imperfeito e pouco duradoiro; e, por isso, o povo criou a expressão: tapa, massa, enquanto o caldeireiro passa.
Continua....

domingo, julho 10, 2005

Costumes de Casamentos (Parte II)




Continuação....

de Jales, Vila Pouca de Aguiar

Quando os noivos saiam da igreja, as amigas da noiva cantavam:

Meus senhores, façam alta,
Façam favor de parar:
Queremos oferecer um ramo
A quem vem se casar.

A quem vem se casar,
Cheia de santa alegria.
Deus te queira abençoar
E a sempre Virgem Maria.

Hoje, foste à nossa igreja,
Foste dar a mão è fita.
Oxalá que tenhas sempre
Uma vida bem bonita.

Aqui tens este raminhi,
Feito da raiz dum cravo
Que nosso Senhor te dê
Um homem do teu agrado.

Aqui tens estas felores,
Tão cheirosas e tão belas.
Só por mor te ti, amiga,
Nos desfariamos delas.

Depois, seguiam para casa da noiva e continuavam:

Venha cá, Senhor F.,
Venha ao cimo da escaleira,
Venha ver a sua filha
Como a rosa na roseira.

Venha cá, senhora F.,
Mas não venha pra chorar,
Venha ver a sua filha,
E também para a abençoar.

Venha cá, senhor F.,
Chegue ai cimo das escaleiras,
Venha ver a sua filha
Com as mocinhas solteiras.

então, o pai da noiva convidava toda a gente para entrar, mas elas escusavam-se, pedindo apenas as tradicionais amêndoas:

Se nos derem as amêndoas
Que sejam muitas e buas,
Pois temos que as repartir
Por quem nos fez estas luas.

Costumes dos Casamentos


Tal como anunciei no Post anterior, vou começar a transcrever Usos e Costumes de região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Aqui vou falar no Casamento e nas Estórias referentes a esta cerimónia.

Textos retirados do livro: Literatura Popular de Trás os Montes e Alto Douro, IV Volume (Miscelânea) por Joaquim Alves Ferreira Ano: 1999

O Casamento, para além do ritual religioso, tem também o seu ritual profano, como o lançamento de arroz, flores e de outras manisfestações folclóricas. Nalgumas localidades, recitavam-se versos, aos quais davam o nome de luas ou loas, aos noivos, onde está bem patente o conceiro de indissolubilidade do matrimónio.
de Nespereira, Cinfães

As amigas dos noivos esperavam o cortejo nupcial à saida da igreja e diziam:

Façam alta, meus senhores,
Façam favor de esperar:
Queremos dar este ramo
A quem vem de se casar.

Depois, voltando-se para a noiva, continuavam:

Aqui tens este raminho
Feito da raaiz dum cravo.
Que Nosso Senhor te dê
Um homem do teu agrado.

Aqui tens este raminho
De flores de avelaneira.
Ainda te hás-de lembrar
Da mocidade solteira.

O laço que te prendeu
Era de seda amarela.
Não o tornes a desdar,
Fica sempre presa nela.

O laço que te prendeu
Era de seda torcida.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o toda a vida.

O laço que te prendeu
Era de seda bem forte.
Não o tornes a desdar,
Conserva-o atá á morte.

E rematavam assim:

Viva o noivo mai-la noiva,
Viva o tronco que os gerou,
Viva o padrinho e a madrinha,
Viva o padre que os casou

sexta-feira, julho 08, 2005

Mouçós

Eis a freguesia aonde viveram os meus antepassados, as minhas origens... eu sou o que sou, graças ás gentes de Mouçós.
Em breve hei-de transcrever neste Blog os Usos e Costumes, Lendas e Histórias destas gentes Transmontanas.

Situada na margem esquerda do rio Corgo, Mouçós encontra-se a seis quilómetros da cidade de Vila Real. Compreende os lugares de Aboboleira, Alfarves, Alvites, Bouça, Compra, Feitais, Jorjais, Lagares, Laje, Magarelos, Merouços, Pena de Amigo, Ponte, Quinta do Tapado, Raposa, Sangunhedo, S. Paio, Sequeiros, Sigarrosa, Toajais e Varge. Nesta freguesia existiu, em tempos remotos, um mosteiro de freiras beneditinas, derrubado pelos muçulmanos por volta do século X. No século XIX eram visíveis ainda alguns vestígios do seu antigo edifício. Do património edificado de Mouçós, destaca-se o santuário dedicado a Nossa Senhora da Pena, interessante templo setecentista. Quanto à Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, era originalmente românica e muito semelhante à que existe no castelo de Guimarães.

In site, Minha Terra.

Expostos e Naturais

Roda dos Expostos do Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador (BA)

Hoje recebi um assento de baptismo em que o pai da criança, era exposto....mas logo a seguir vem mencionado os avós paternos como o mesmo sendo filho natural de ambos.
Será que a criança foi exposta e mais tarde os verdadeiros pais apareceram e deram-lhe o nome?
Ou poderão ser os pais adoptivos? mas neste caso pq viria no assento de baptismo em que o pai foi exposto e tendo avós paternos?
O ano deste assento é finais do séc. XVIII
Gostaria de saber a Vossa opinião sobre este assunto.