Actividades Ambulantes - III

Os Vendedores
Aproveitando as dificuldades que os lavradores tinham em se deslocar à Vila para fazer compras, surgiam os vendedores ambulantes que passavam pelas aldeias a oferecer os produtos mais consumidos.
Entre eles, salientavam-se as populares sardinheiras que iam por lá quase diariamente com os caixões de sardinha fresca, apregoando, de porta em porta: olha a vivinha de Ovar, é comer e regalar.
E quando não havia aquele peixe fresco, o peixe dos pobres, levavam barricas de sardinhas salgadas, para o substituir.
Nota: Ainda me lembro de ver em casa dos meus pais essas barricas cheias de sardinhas salgadas, que era uma forma de conservar as mesmas por muito tempo.
Era um negócio miúdo, é certo, quase sempre fiado, e algumas vezes com calotes; mas, apesar disso, mais compensador e mais leve do que o trabalho do campo.
Por isso, o povo costumava dizer: quem vende sardinha come galinha.
Embora com menos frequencia, por lá passavam também os famigerados almocreves com os machos carregados de gás, azeite, sabão, fósforos e outras miudezas.
Ao chegarem às povoações, tocavam uma corneta de som monótono e estridente e aguardavam a chegada dos compradores que não tardavam.
O produto mais procurado era o gás, naturalmente, pois era com ele que alimentavam as tradicionais candeias e lampiões para iluminar as casas, sobretudo nas longas noites de inverno.
A seguir, era o sabão tão necessário para lavar as roupas interiores encardidas de suor e poeira.
O azeite era menos procurado, não só porque era mais caro, mas também porque era menos necessário, pois, para alumiar, era usado apenas nos candeeiros especiais de quatro bicos, utilizados nos mortórios; e para os temperos era facilmente substituídos pela banha de porco, que não faltava na maior parte das casas (...).

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home